A Guerra da Coreia, de 1950 a 1953, e a Guerra do Vietname, com uma participação americana significativa que se estendeu ao longo da década de 1960 até meados da de 1970, foram ambas travadas entre forças comunistas apoiadas pela União Soviética e pela China e forças anticomunistas apoiadas pelos Estados Unidos. Ambas se tornaram autênticas guerras por procuração no sentido mais completo do termo — superpotências a armar, financiar e assessorar lados locais opostos, evitando cuidadosamente qualquer confronto militar direto entre si — precisamente porque nem os Estados Unidos nem a União Soviética estavam dispostos a arriscar o tipo de confronto direto que poderia escalar até uma guerra nuclear.
A Coreia terminou num impasse, o Vietname terminou numa vitória comunista
Na Coreia, as forças norte-coreanas apoiadas pela União Soviética e, mais tarde, as tropas chinesas travaram forças sul-coreanas e das Nações Unidas lideradas pelos Estados Unidos até um impasse militar próximo da linha divisória original, o paralelo 38, e a guerra terminou com um armistício em 1953 e não com um tratado de paz formal, o que significa que a Coreia do Norte e a Coreia do Sul continuam tecnicamente em guerra até hoje. No Vietname, o Vietname do Sul, apoiado pelos americanos, combateu o Vietname do Norte, apoiado pela União Soviética e pela China, durante mais de uma década, até as forças americanas se retirarem em 1973, altura em que o Vietname do Norte alcançou uma vitória militar total em 1975, reunificando o país sob domínio comunista.
Ambas as guerras testaram o mesmo pressuposto estratégico da Guerra Fria
A intervenção americana em ambas as guerras foi justificada em grande parte pela teoria do dominó, a ideia de que uma vitória comunista num país desencadearia uma reação em cadeia de novas conquistas comunistas numa região inteira, a menos que fosse ativamente travada. Essa lógica estratégica partilhada é exatamente a razão pela qual as duas guerras, travadas com uma década de intervalo em países genuinamente diferentes, com dinâmicas políticas locais distintas, são estudadas em conjunto como um único padrão de conflito por procuração da Guerra Fria, e não como duas guerras regionais sem relação entre si.
Do que ainda não temos a certeza
Que ambas as guerras foram travadas como conflitos por procuração entre forças locais apoiadas por superpotências, e que ambas foram moldadas pela lógica estratégica da teoria do dominó, são factos bem estabelecidos e extensamente documentados da história da Guerra Fria. O que continua genuinamente em debate historiográfico é se a própria teoria do dominó alguma vez foi uma previsão estratégica sólida — os historiadores continuam a debater ativamente até que ponto uma vitória comunista num país se propagaria realmente aos vizinhos, em contraste com dinâmicas nacionalistas locais em cada país específico que teriam pesado muito mais do que qualquer reação em cadeia ideológica única e global.
Isto insere-se em As Guerras da Coreia e do Vietname, um dos sete tópicos em História Contemporânea, um dos sete domínios em História, uma das dezassete disciplinas sobre as quais a app te pode fazer perguntas.