Sim — existem vários bloqueadores reais e atualmente gratuitos, sem subscrição, embora a ressalva honesta seja que as opções gratuitas se concentram ao nível do navegador e do computador, e não no bloqueio total de dispositivos móveis, já que o bloqueio ao nível da aplicação em iOS e Android geralmente exige integração contínua com o sistema operativo, algo que projetos gratuitos e sem financiamento tendem a não conseguir manter com a mesma fiabilidade. O LeechBlock NG (extensão gratuita e de código aberto para Chrome/Firefox), o SelfControl (aplicação gratuita e de código aberto para Mac) e o StayFocusd (extensão gratuita do Chrome com um orçamento diário de tempo) são as opções mais consistentemente disponíveis que não colocam o bloqueio essencial atrás de um acesso pago. Vale também a pena notar que «gratuito» e «código aberto» não são exatamente a mesma coisa aqui — o LeechBlock e o SelfControl são ambos de código aberto, o que significa que o código é publicamente auditável, uma proposta de confiança bastante diferente da de uma aplicação de código fechado que simplesmente não cobra dinheiro.
Como cada um destes bloqueia na prática
O LeechBlock NG funciona como uma extensão de navegador que intercepta a navegação para domínios especificados durante as regras que configuras — janelas horárias, regras por dia da semana, ou um orçamento diário fixo de tempo — e é refrescantemente explícito na própria documentação ao afirmar que um utilizador tecnicamente determinado pode desativar a extensão por completo, já que uma extensão de navegador não tem permissão elevada para impedir que seja desligada. O SelfControl funciona de forma diferente e mais rigorosa: bloqueia o acesso ao nível da própria firewall do Mac, adicionando os domínios especificados a uma lista de bloqueio que persiste mesmo após reiniciar, durante uma duração que defines no início e que não pode ser encurtada nem revertida até expirar — nem sequer eliminando a própria aplicação. O StayFocusd funciona de forma semelhante ao LeechBlock, como uma extensão do Chrome com um limite diário por site, após o qual os sites ficam inacessíveis até ao dia seguinte, com uma «opção nuclear» opcional que bloqueia tudo exceto uma lista branca. Vale a pena saber que o SelfControl, em particular, é um projeto de código aberto antigo e bem conhecido, e não um produto comercial com uma armadilha escondida — a sua restrição de lista de bloqueio genuinamente não pode ser levantada antecipadamente através da própria aplicação, nem sequer fechando-a ou eliminando-a, o que é uma garantia técnica mais forte do que a maioria das ferramentas móveis gratuitas oferece. A «opção nuclear» opcional do StayFocusd deve ser usada com cuidado, já que bloqueia por predefinição em vez de permitir por lista branca, o que para algumas pessoas é uma predefinição mais eficaz do que uma permissiva que exige lembrar de adicionar sites à medida que surgem.
Porque é que as ferramentas gratuitas tendem para o navegador e o computador, e não para o telemóvel
O bloqueio total ao nível da aplicação em iOS exige o framework Tempo de Ecrã / Controlo Parental da Apple, e em Android exige permissões de Serviço de Acessibilidade ou de Acesso de Utilização — ambas precisam de manutenção ativa à medida que as versões do sistema operativo mudam, já que a Apple e a Google ajustam periodicamente estas APIs. Uma extensão de navegador, por contraste, funciona sobre uma API de extensões comparativamente estável, que muda com muito menos frequência, o que é parte da razão pela qual as ferramentas gratuitas mantidas pela comunidade se concentram aí em vez de em aplicações móveis nativas. Isto não é sinal de que não existam de todo bloqueadores móveis gratuitos — vários existem, muitas vezes com um plano gratuito que bloqueia um número limitado de aplicações ou que carece de funcionalidades de bloqueio mais rígido — mas um bloqueador móvel totalmente gratuito, sem subscrição e ativamente mantido, é mais raro do que o equivalente para navegador, pelo que vale a pena verificar a página de preços atual de uma dada aplicação em vez de assumir que uma etiqueta «gratuito» de uma análise antiga ainda se mantém válida. É também por isso que as opções gratuitas que existem tendem a ser, ou projetos comunitários genuinamente de código aberto sem modelo de receita a sustentar, ou ferramentas de âmbito estreito para uma única plataforma, em vez de conjuntos completos multiplataforma — manter a integração com o Tempo de Ecrã ou o Serviço de Acessibilidade ao longo das atualizações do sistema operativo é um trabalho contínuo com que um plano gratuito sem financiamento tem dificuldade em acompanhar ao longo dos anos. Isto também explica porque é que um bloqueador móvel genuinamente bom, gratuito ou pago, é mais difícil de construir e manter bem do que pode parecer de fora — não é apenas uma interface sobre uma API estável, é trabalho contínuo de integração com uma plataforma que muda por baixo dela.
Como costuma ser o compromisso do plano gratuito
Nos casos em que as aplicações móveis oferecem planos gratuitos, o compromisso costuma ser um ou mais dos seguintes: um limite ao número de aplicações bloqueadas, ausência de sincronização entre dispositivos, ausência de bloqueios agendados ou recorrentes (apenas sessões manuais e pontuais), ou as funcionalidades de aplicação mais rígida do «modo estrito» reservadas para os planos pagos. Esta é uma estrutura freemium razoável e comum, não um logro — o mecanismo de bloqueio essencial costuma continuar a funcionar no plano gratuito, apenas com menos opções de configuração à volta dele. Para alguém que está a testar se o bloqueio ajuda antes de se comprometer com uma subscrição, o plano gratuito da maioria dos bloqueadores móveis é um teste genuinamente útil, mesmo que não pretenda ser a configuração permanente e com todas as funcionalidades. Vale a pena verificar diretamente os limites atuais do plano gratuito de uma aplicação específica em vez de confiar numa análise antiga, já que as estruturas freemium mudam com alguma frequência à medida que as aplicações acrescentam funcionalidades e ajustam quais ficam atrás de um acesso pago. Vale a pena ler a ficha de uma aplicação específica na loja de aplicações e, idealmente, análises recentes de utilizadores, antes de assumir que um plano gratuito descrito ainda corresponde ao que está atualmente disponível, já que as descrições nas lojas de aplicações nem sempre são atualizadas no momento em que os preços mudam.
Onde entra o Mr. Grummel
O Mr. Grummel ainda não foi lançado, por isso não há preços atuais para comparar — quando for lançado, o plano é manter o bloqueio essencial com quiz utilizável sem subscrição, sendo a lista de espera a forma de saber quando isso for confirmado. Quem estiver a experimentar o bloqueio pela primeira vez com um orçamento apertado tem hoje opções gratuitas genuínas e reais, sobretudo ao nível do navegador — só vale a pena entrar com expectativas corretas sobre o que «gratuito» normalmente inclui e não inclui, especificamente em dispositivos móveis. Entretanto, as ferramentas de navegador e de computador acima são genuinamente gratuitas hoje, sem período de teste nem contagem decrescente de funcionalidades associada a essa palavra.
Sources
- LeechBlock NG, SelfControl and StayFocusd project documentation (open-source, publicly available)