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Bloqueador de apps para a prática de mindfulness

Mindfulness é, em grande parte, sobre notar o momento antes de uma reação automática. Verificar o telemóvel é uma das reações mais automáticas que a maioria das pessoas tem — o que o torna um lugar natural para praticar essa atenção.

A tensão específica que a prática de mindfulness encontra com os telemóveis é que grande parte do uso do telemóvel é genuinamente automático — pegar nele não costuma ser uma decisão consciente, é mais próximo de um reflexo, e um reflexo é exatamente o tipo de coisa que a prática de mindfulness tenta desenvolver a capacidade de notar antes de agir. Uma app de meditação usada dez minutos por dia não afeta, por si só, as outras dezenas de gestos automáticos que acontecem ao longo do resto do dia. Há aqui uma ligação bastante direta a um conceito central do mindfulness: o intervalo entre o estímulo e a resposta, onde um momento de perceção cria espaço para uma escolha deliberada em vez de uma reação automática — a maior parte do treino de mindfulness tenta construir esse intervalo através de prática sustentada, e o hábito do telemóvel é um dos locais mais frequentes e repetíveis para o aplicar de facto num dia normal.

O que provavelmente já tentaste

Uma sessão diária numa app de meditação, respiração consciente antes de verificar o telemóvel, um post-it junto ao carregador como lembrete para fazer uma pausa. Estas práticas constroem o hábito durante sessões dedicadas, mas não se estendem naturalmente ao resto dos gestos automáticos do telemóvel ao longo do dia, que é onde vive a maior parte do comportamento realmente reflexo. Algumas pessoas usam uma frase ou uma respiração específica como sinal de pausa antes de verificar o telemóvel, o que é uma técnica genuinamente alinhada com o mindfulness, mas, como a maioria das técnicas autoiniciadas, depende de te lembrares de usar o sinal em primeiro lugar — e é exatamente isso que costuma falhar quando o hábito já é razoavelmente automático. Alguns programas formais baseados em mindfulness, como o MBSR, incluem exercícios específicos sobre notar impulsos sem agir sobre eles, o que se aplica diretamente a verificar o telemóvel e vale a pena explorar para quem quiser uma prática mais estruturada. Os programas estruturados decorrem normalmente ao longo de várias semanas, dando à prática repetição suficiente para de facto começar a fixar-se. Mesmo sessões curtas e informais de prática, poucos minutos de cada vez, constroem capacidade real ao longo de semanas. Versões em áudio guiadas destes exercícios estão amplamente e gratuitamente disponíveis para quem quiser começar sem um curso formal.

Porque é que os conselhos genéricos de bloqueio falham especificamente aqui

"Sê apenas mais consciente do uso do telemóvel" é um conselho circular para alguém que está precisamente a tentar desenvolver essa capacidade — pressupõe o mindfulness que ainda está a ser praticado e desenvolvido, em vez de oferecer algo concreto em que apoiar-se enquanto ainda é um trabalho em curso. Também pressupõe que a capacidade de notar um impulso já está totalmente desenvolvida, quando, para a maioria das pessoas, construir essa capacidade é o verdadeiro trabalho contínuo de uma prática de mindfulness, não algo disponível à vontade desde o primeiro dia. Vale também a pena notar que a capacidade de notar um impulso tende a melhorar gradualmente com a prática repetida, não de uma só vez, pelo que as primeiras tentativas de fazer uma pausa antes de verificar o telemóvel podem ainda não parecer muito eficazes — o que é normal e não um sinal de que a abordagem não está a funcionar. As primeiras tentativas costumam parecer desajeitadas ou ineficazes, o que é uma parte normal de construir qualquer capacidade nova, não um sinal de que não está a funcionar.

O ajuste honesto

Um bloqueio com quiz cria uma pequena pausa forçada exatamente no momento em que, de outra forma, um gesto automático aconteceria sem interrupção — essa pausa, mesmo que dure apenas alguns segundos, é já por si uma pequena prática de notar um impulso antes de agir sobre ele, o que se alinha naturalmente com aquilo que o mindfulness tenta desenvolver de forma mais ampla. É um pequeno momento repetível exatamente do tipo de perceção que a prática de mindfulness tenta cultivar, acontecendo dezenas de vezes por dia em vez de apenas durante uma sessão dedicada de dez minutos, o que lhe dá mais oportunidades para de facto desenvolver a competência subjacente. Também fornece um gatilho específico e repetível para praticar a pausa, o que é mais concreto do que a instrução mais abstrata de "repara nos teus pensamentos" em que muitos exercícios de mindfulness assentam. A frequência, mais do que a intensidade, é normalmente o que constrói este tipo de capacidade ao longo do tempo. Essa repetição, mais do que qualquer sessão longa isolada, é normalmente o que faz a diferença. Essa estrutura pequena e repetível vale mais do que possa parecer à primeira vista.

Onde não é o ajuste certo

Um bloqueador não substitui uma verdadeira prática de mindfulness ou meditação — cria um momento em que notar se torna possível, não faz a perceção por ti, e tratá-lo como substituto da prática em vez de um apoio a ela ignora aquilo para que é realmente útil. Combinar os dois — uma prática dedicada para desenvolver a competência, um bloqueador para a praticar de forma oportunista ao longo do dia — tende a funcionar melhor do que confiar apenas num deles. Mesmo alguns segundos de pausa genuína, repetidos com frequência suficiente, acumulam-se numa relação com o telemóvel significativamente diferente ao longo de semanas e meses. Pequenas vitórias repetidas somam-se a algo notavelmente diferente muito antes de parecer assim no momento. Ao longo de semanas, essas pequenas pausas acumulam-se em algo que começa a parecer automático por si só. Essa construção gradual é normal, esperada e vale a pena manter mesmo quando o progresso inicial parece lento.

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